TÁTICA: ANÁLISE, ESQUEMAS ETC.

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felippelima
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Re: TÁTICA: ANÁLISE, ESQUEMAS ETC.

Mensagem por felippelima » 20 Jul 2017, 22:29

O Brasil só tem um técnico acima da média no que diz respeito a construções de jogadas, que é o Fernando Diniz. Ele já se mostrou ser um cara que está à frente da sua geração, me espanta demais que até hoje não tenha tido uma oportunidade num clube com mais recursos. O problema todo é que, aqui no Brasil, o trabalho bom é aquele que ganha, e o ruim, o que não ganha. Torcedor brasileiro, num geral, não tem muito conhecimento de tática ou de organização, então se baseia no resultadismo e escalar certo ou errado pra poder falar que um treinador é bom ou ruim

Os times do Fernando Diniz vão ter mais posse de bola que o adversário em 99% dos jogos. Criou-se essa marca simplista de que seus times tocam, tocam e tocam, e usaram das saídas de bola do goleiro arriscando passes difíceis como sua maior marca, enquanto, na verdade, isso é só a ponta do iceberg. O Diniz joga, em teoria, no 3-4-3, só que com muitas coisas diferentes do que TODOS os outros treinadores brasileiros fariam num esquema parecido. Vou passar o time do Audax que foi vice Paulista pra tentar explicar melhor meu ponto de vista

André Castro
Bruno Silva
Velicka

Tchê Tchê
Camacho
Yuri
Juninho

Mike
Ytalo
Bruno Paulo

A começar pela primeira linha, é sempre um zagueiro rápido pra fazer a sobra e dois volantes/laterais pelos lados, entrando no campo de ataque quando tem a bola e participando da construção pelos lados, formando as triangulações. Então, com a bola, Velicka e André Castro entravam na linha de meio campo e o time marcava só com um zagueiro (o Dorival quis implantar essa mudança no Santos esse ano, mas tomou logo duas bordoadas e desistiu)
No meio, são sempre 4 meiocampistas mesmo, não existem laterais. A amplitude quem dá são os pontas, então Tchê Tchê e Juninho sempre flutuavam pra ter superioridade na região central e fazer a bola girar com muito mais facilidade. Então, com a bola era sempre um 1-6-3
Na frente, os pontas sempre muito abertos, capazes de trazer por dentro pra ser agudo ou buscar a ponta nas jogadas individuais. Eles eram os "laterais" do time, aqueles que criavam pelas beiradas. E, como centro-avante, um jogador leve que também entra na linha de meias no momento da construção, deixando os dois zagueiros adversários sem marcar ninguém

Seus times jogam com OITO jogadores no meio campo, e isso gera um leque absurdo de opções de passe, por isso tocam tanto a bola assim. A partir daí, fica muito mais fácil treinar qualquer movimentação pra abrir espaços, vai ter sempre superioridade numérica. E, consequentemente, fica muito mais fácil de fazer qualquer marcação pressão, já que se roubarem a bola e não esticarem no contra-ataque de primeira, o Audax vai sempre ter dois em cada jogador mordendo e fechando os espaços

Não sei se daria certo em um elenco mais qualificado, não sei se teriam a paciência ao invés de chamarem de pardal, não sei se os jogadores absorveriam isso, não sei se existe um dirigente sequer aqui no Brasil que fosse capaz de bancar isso, contratando que se encaixasse nesse estilo de jogo... o que eu sei é que o Audax, aqui no Brasil, faz algo muito diferente de tudo que estamos acostumados e tá passos e mais passos à frente que praticamente todos os outros times do Brasil, no que diz respeito a imposição de jogo com a bola e controle de jogo

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felippelima
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Re: TÁTICA: ANÁLISE, ESQUEMAS ETC.

Mensagem por felippelima » 20 Jul 2017, 22:43

Se for pegar os técnicos mais badalados, o Brasil só tem o Cuca com peito e convicção de fazer aquilo que aprendeu a fazer. Sendo bom ou ruim, é o único desses mais consagrados em que a gente olha e vê claramente o dedo do treinador

O Palmeiras é o time da intensidade, completamente diferente dos times do Diniz, por exemplo. A marcação é individual, um zagueiro faz a sobra e os outros 9 jogadores de linha tem a quem marcar independente do setor que o adversário se movimentar. Os laterais não dão profundidade, o Cuca conta com os dois pra poder criar jogadas na diagonal, centralizando sempre. O trio de frente obrigatoriamente tem que ter intensidade (ta aí o principal motivo do Willian estar sendo titular absoluto no lugar do Borja), capaz de acelerar o jogo a todo momento e com fôlego pra marcar aquele que lhe cabe. Os meias quase nunca lateralizam o jogo, é sempre conduzindo a bola em direção ao gol ou esticando uma bola longa pra correria. Os zagueiros também precisam ajudar na construção pra poderem ser as cabeças pensantes no início das jogadas. Até o volante, ele valoriza muito mais alguém que acelera o jogo (Bruno Henrique) que alguém de bom passe (Felipe Melo)

A vantagem desse estilo de jogo é que fica um time mortal, que com 2 ou 3 passes entra na cara do gol. O problema é que muitas vezes entrega a bola pro adversário sem necessidade, nessa ambição de acelerar. Sem a bola, tem que ser MUITO bem treinado, senão uma simples troca de passes deixa um marcador pra trás e compromete toda a marcação individual. Além, é claro, da natural "desorganização" tática que vira essa bagunça

Há quem goste, há quem não goste, mas esse é outro treinador de verdade aqui no Brasil, em que vc vai contratar o cara sabendo exatamente o que ele vai te entregar. Tirando ele (os mais novos como Jair e Carille não dá pra ter conclusão ainda, só o primeiro trabalho), vc pode contratar de Cristóvão Borges a Renato Gaúcho, as melhoras vão sair muito mais por inspiração de jogadores ou simplesmente achar o melhor time, do que por um brusca mudança tática. Os treinadores do Brasil, num geral, fazem todos os mesmos trabalhos, até por isso não faz tanta diferença aqui esse negócio de continuidade e sequência no trabalho (e isso explica como a maioria dos times melhora sua situação no primeiro jogo pós troca de técnico, em que muitas vezes nem treinamento tático houve)


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